quarta-feira, 23 de abril de 2014

18 segundos de paixão




[na escada de saída/entrada da estação de metrô]

 _cara, me ajuda?
 _é que... meu, perdi minha carteira, tô só com o vale-refeição e não tenho grana pra voltar.
os olhos azuis provocaram. péssimo.
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                  _toma aqui mano. 
                   _eu já fui tão ajudado hoje, 
                     _não custa  
                      (tentativa de compensação).

sábado, 12 de abril de 2014

troca




Já ouvi muitos ditarem correntes de pensamentos rápidos que exploram uma suposta regra: “Os bons morrem jovens”.
Na realidade, com o passar dos anos ouve uma mudança responsável por transformar a mensagem.
Antes de fazer parte de músicas ou poemas baratos, a frase foi divulgada e vivificada através de “bla bla bla”, ação capaz de modificar elementos;  o coração é um deles, com o efeito de  “bla bla bla” encrosta e petrifica.  
Agora é a partir daqui.






“Os bons permanecem jovens.”

quinta-feira, 13 de março de 2014

eu te levo



As ruas estavam como sempre estiveram em noites de março. 
Nada incomum na capital do pantanal. Poças eram transformadas em espelhos ao refletirem as luzes dos postes.
Sinal vermelho no vazio é verde para jovens.
Foi o que aconteceu. Eles só não esperavam por algumas motos daqueles caras mal pagos, vestidos em uniformes apertados, com seus paus saltando nas calças.
A sirene anunciava, o carro tinha que encostar.
Eram 4, um deles gritou para saírem do carro, assim foi.
Pediu o RG e constatou o sobrenome passe-livre dos questionados.
Os caras da lei balançaram suas cabeças. Com as motos no efeito silencioso, não deixaram nem uma multa.  


As portas do carro bateram.
Com sorte.
Por sorte.
Em sorte.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

ohayō






Acordou.
Parecia que seu criado-mudo, este bem ao lado, repetia pequenos trechos de músicas que ouvia em outras situações.
Passou a mão bem acima dos remédios que ali estavam, como se fosse mexer o ar acumulado. A dança com os braços fez sua mão direita parar bem ao centro do rosto. Colocou a ponta do dedo na pontinha do nariz. Direcionou os olhos para o ponto indicado e então resmungou.










"Saudades da época em que só Dorflex no fim de semana e Aspirina nos dias de Jiraiya resolviam todos os meus problemas."

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

tem inbox pra você




As histórias podem ter 2 versões
mas uma pessoa nunca tem 2 caras.
infinitos são os sentimentos e as maravilhas
que um ser só pode possuir.

Recebi sua mensagem
com todos os meus defeitos escrachados
descritos nos mínimos detalhes
que então fui perdoado.

Suas palavras cortaram a ultima confiança,
ler aquilo foi como rasgar todas as fotografias
que só existem na minha memória.
todas aquelas em que me despenquei até você
encarando taxistas gordos, telefonistas maldosas,
pagos com dinheiro escrito em dias nublados.

eu me permiti mudar encarando sua ansiedade
acreditava em histórias de anéis,
andava de mãos dadas em ruas movimentadas
dessa cidade onde o ar é seco.

Viver com você foram dias ensolarados
sua barba é macia, a mente inquestionável,
me perdi várias vezes em sua barriga
almejando gozo quente.
tudo que vivi nada quero esquecer.

Os dias estão úmidos,
a fumaça da minha boca atravessa as folhas,
o vento sopra pouco.
dores de cabeça brotaram de cada letra
uma baforada é o máximo depois daqueles dias.
ao entrar em um próximo táxi
vou lembrar de dias tranquilos com você
e continuar com meu amor.