quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

vinte e quatro




Então é isso. Segurança pra realizar o que quer que seja sozinho. Saber que cada coisa tem seu tempo e o porque de não ser como era desejado.
Então é isso. Amar a distância. Chorar o passado. Realizar planos possíveis para o futuro. Saber do que é feito o presente.
Então é isso. Deixar de incomodar. Ter mais serenidade. Possuir o tempo pra sonhar com o primeiro milhão antes dos 30.
Então é isso. Pegar dinheiro emprestado. Trabalhar no feriado. Contar com os pais no meio do mês. Receber propostas erradas.
Então é isso. Ganhar prêmios. Vitalidade para virar a noite na balada. Já ter histórias de réveillons antigos pra contar. Saber trepar. Ter um tesão incontrolável.
Então é isso. Continuar esperando pelo emprego perfeito. Ser a solução dos problemas da família. Reconhecer que magoou seus pais na adolescência.
Então é isso. Acreditar no invisível. Contar com a experiência da chefe. Chorar e ao mesmo tempo ficar alegre com os amigos que mudam de cidade. Enviar portfólios.  Ser recusado. Xingar muito o diretor de criação.
Então é isso. Ser traído. Ainda não entender o coração. Comer muito. Engordar. Emagrecer. Engordar de novo porque comeu feito um porco depois do ultimo chifre.
Então é isso. Ganhar pouco. Gastar todo seu salário com uma calça e um celular. Estourar os cartões. Deixar de pagar todas as faturas porque você vai encontrar aquela garota incrível na balada. Não ficar com ela. Vomitar no fim da noite. Lembrar de toda sua vergonha na balada, das contas que não pagou e ainda gargalhar com isso...


...porque ah, é 24.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

.quartoescuro.


Procurar uma razão pra viver e um motivo para não ser ingrato.
Doce juventude, amarga dúvida.
O dia vira primavera, outono, verão, inverno e isso só nas primeiras horas. Quando o sol sai é mais difícil.
Os olhos que te perseguem são julgamentos em que você nem tem um advogado. Cada um tem sua verdade, nada é o mesmo para todos e essa dor não passa com prozac.
Ingratidão lateja na cabeça. As folhas verdes dançam tentando distrair a incompreensão. Existe um monstro dentro do peito que pulsa por liberdade mas a conta corrente no banco não passa de 200 reais.
A vida não é a mesma sem o capital. Dinheiro não compra felicidade, mas proporciona segurança.
Descanso e vida boa? Não, você está com o mesmo julgamento dos outros.
É permissão para buscar.
Talvez seja só um medroso se escondendo do lado negro do sol.
Ainda não sei, mas as palavra aliviam.
Agora é transformar dor em trabalho e 200 em mais que prêmio sem troféu.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

.prático.




Mata em parcelas o grande amor que recebe. Sente que não é digno de tanta sorte.
Leva sua vida como um grande sofrimento cinza, prata e pontuado com linhas brancas.
Nunca diz que foi sem querer.
“Pare e continue”.
Pensa mil vezes, repete, repete, esfrega a esponja na pele para limpar a impureza acumulada. Mentaliza que cada célula morta levada com água fria e sabonete destrói de seu corpo um ato ilícito, um pensamento errado, um desejo mortal, uma ação autodestrutiva.
As paredes observam tudo e cochicham com as portas:
“A juventude vai acabar.”

domingo, 28 de outubro de 2012

.grito.




É calor no pantanal, os comportamentos seguem linhas brancas que explodem no peito, anestesiam palavras e dilatam medos.
Um tiro corta a madrugada, cala a solidão.
Em cada casa, falsos prazeres são consumidos por jovens verdadeiros.
Jovens tão reais que escolhem um pouco de mentira para buscar outras vias.
Lagrimas são substituídas por pingos de suor.
A liberdade cozinha e borbulha desconfiança, azar.
Não é busca, é falta.





E o spoiler  já é visto nos dentes. Um dia, a juventude acaba.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

.atodesonho.


sentou bem ao lado para observar.

Busca

Céu em neon, pessoas em colagens, preto e branco, dourado e cinza.
Andava na procura de hotel barato, mas sem ratos.
A garota com pele de lobo estava ali. De mãos dadas conversavam sobre o México, sem perder o olhar atento.

Descanso

Existiam cavalos em forma de vacas, eram as únicas que podiam atravessar o lago.
Na cabana, um gerador de luz.
Pegou a vaca, foi para o lago.
No hotel, a garota ficou.

Desastre

Chegou ao meio do lago. Ordenhas automáticas iniciaram a armadilha do medo.
A vaca voltou para o início.
Sem nada pra fazer, acabou em sol quente.
A garota e o hotel nunca existiram.
acordou ali.





sábado, 20 de outubro de 2012

.pouco.



A novela vira opção quando o amor é difícil.

No fundo, o que a gente quer de verdade
é 1 ano de supermercado grátis.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

.amnésia.



Esqueci do passado, de como cheguei até aqui. Olho minhas mãos e não lembro de onde vieram tantos machucados, do porque das unhas roídas e da ansiedade incontrolável.
Levanto os braços e busco uma resposta no céu, no sol e até mesmo na lua que está distante, escondida.
As lágrimas são inevitáveis. Em pedido de socorro clamo ao sobrenatural que acorde minha memória, meus sonhos, minha antiga vida.
Já está claro, a reflexão é em vão e ainda clamo. Não tenho mais voz, não tenho mais família, não tenho mais amor.
Para onde foram tantos elogios? Para onde foram os cachos do meu cabelo? Para onde foram a juventude e a pele boa?


...


Os anos consumiram, não tiveram piedade do meu egoísmo e ganância.
Sim, agora sei os motivos, mas ainda estou perdido. A inteligência não me salvou, o dinheiro não me salvou.
Agora lembro... Você nunca me amou.


...



Mas será que um dia eu me amei?