domingo, 28 de outubro de 2012

.grito.




É calor no pantanal, os comportamentos seguem linhas brancas que explodem no peito, anestesiam palavras e dilatam medos.
Um tiro corta a madrugada, cala a solidão.
Em cada casa, falsos prazeres são consumidos por jovens verdadeiros.
Jovens tão reais que escolhem um pouco de mentira para buscar outras vias.
Lagrimas são substituídas por pingos de suor.
A liberdade cozinha e borbulha desconfiança, azar.
Não é busca, é falta.





E o spoiler  já é visto nos dentes. Um dia, a juventude acaba.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

.atodesonho.


sentou bem ao lado para observar.

Busca

Céu em neon, pessoas em colagens, preto e branco, dourado e cinza.
Andava na procura de hotel barato, mas sem ratos.
A garota com pele de lobo estava ali. De mãos dadas conversavam sobre o México, sem perder o olhar atento.

Descanso

Existiam cavalos em forma de vacas, eram as únicas que podiam atravessar o lago.
Na cabana, um gerador de luz.
Pegou a vaca, foi para o lago.
No hotel, a garota ficou.

Desastre

Chegou ao meio do lago. Ordenhas automáticas iniciaram a armadilha do medo.
A vaca voltou para o início.
Sem nada pra fazer, acabou em sol quente.
A garota e o hotel nunca existiram.
acordou ali.





sábado, 20 de outubro de 2012

.pouco.



A novela vira opção quando o amor é difícil.

No fundo, o que a gente quer de verdade
é 1 ano de supermercado grátis.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

.amnésia.



Esqueci do passado, de como cheguei até aqui. Olho minhas mãos e não lembro de onde vieram tantos machucados, do porque das unhas roídas e da ansiedade incontrolável.
Levanto os braços e busco uma resposta no céu, no sol e até mesmo na lua que está distante, escondida.
As lágrimas são inevitáveis. Em pedido de socorro clamo ao sobrenatural que acorde minha memória, meus sonhos, minha antiga vida.
Já está claro, a reflexão é em vão e ainda clamo. Não tenho mais voz, não tenho mais família, não tenho mais amor.
Para onde foram tantos elogios? Para onde foram os cachos do meu cabelo? Para onde foram a juventude e a pele boa?


...


Os anos consumiram, não tiveram piedade do meu egoísmo e ganância.
Sim, agora sei os motivos, mas ainda estou perdido. A inteligência não me salvou, o dinheiro não me salvou.
Agora lembro... Você nunca me amou.


...



Mas será que um dia eu me amei?

sábado, 15 de setembro de 2012

.esperançanoescuro.




É sempre assim, mentes criativas que justificam a salvação com inteligência. Dizem que o trunfo é o cérebro.
Não quis magoar ninguém, através de ilusões continua o loop dito como vício.
Liga pra entrar, tenta pra esquecer, e o que encontra é solidão. Mas solidão já não era o ponto zero? Se nasceu sozinho, por que a busca incessante de companhia?
Nem o próprio ego sabe a resposta de tantos questionamentos. As grades são finas e pagas com dedos que escrevem sem cessar. As grades são pagas com trabalho mental, mágica da sorte, sol surreal, ambição e piadas maldosas.
Invenções para sobreviver. Nada é real. Visão e pensamentos são moldados. Quem tem este poder pode ser superior ou cair em tarja preta. O que é dado é cobrado e muitas vezes com sanidade.
Pouca idade é bônus, mas as horas passam, os dias passam, os meses continuam e do nada mais um final de semana sufocante. Escolha 2 dias da semana, pense sobre o que há e siga.
Vê a garota com dentes nas mãos. É inspiração de dias nublados.  Pode ser algo perdido, um jogo em que não existem ganhadores.  Olhos atentos aos passos, sussurros de injúrias. Vai ter que mudar para Oz. Quando passa o próximo tornado?
A noite é imensa e a cabeça não para. Entre os vãos das grades ele chora pela garota, chora pelos garotos. Lança mão do azar, sente o amargo na garganta e amaldiçoa o acaso. Escuta e esquece. O caminho não pode ter curvas.
Texto cheio de perguntas que não respondem nada. Só sabe que faltam camisas novas.







Choque, pneumonia e talento no lixo. Será mesmo que é tão confiante da salvação?



sexta-feira, 17 de agosto de 2012

.resumo.



Chegou e não disse muita coisa, apenas que iria ficar, que um dia acabaria, mas nem a própria sabia qual seria a data do fim.
A música estava alta, o carro muito veloz e os olhos um tanto quanto vermelhos. Só pairavam dúvidas naqueles corações amargurados. O dinheiro, o tempo e o amor eram as únicas certezas que existiam.
Alguém acendeu um cigarro. O vento na janela do veículo levava as cinzas para fora, mas deixava alguns pontos brancos na calça preta. Era a indicação de que nada controlava o espaço, nem mesmo mãos fortes e juventude.
Nada ainda, só silêncio. Um silêncio que gritava choro e cheirava vômito. Ponto, enfim puxou o freio de mão, o caminho tinha acabado, e aquele som quebrou as nóias que estavam ali.
Um passo na frente do outro. Uma coisa de cada vez. Nada é fácil. Nada empolga durante muitos meses.
Olhou pro lado e tudo havia desaparecido. Olhou pro outro e só viu uma mancha branca, bem pequena, no meio do nada. Abaixou, chegou mais próximo, era o rótulo de uma vodka barata, amassado e meio molhado. Abriu totalmente e olhou o verso. O esboço de um sorriso formou no seu rosto.






"É tudo verdade. A solidão realmente está com você, mas ela me disse, vai te deixar.”