sexta-feira, 17 de agosto de 2012

.resumo.



Chegou e não disse muita coisa, apenas que iria ficar, que um dia acabaria, mas nem a própria sabia qual seria a data do fim.
A música estava alta, o carro muito veloz e os olhos um tanto quanto vermelhos. Só pairavam dúvidas naqueles corações amargurados. O dinheiro, o tempo e o amor eram as únicas certezas que existiam.
Alguém acendeu um cigarro. O vento na janela do veículo levava as cinzas para fora, mas deixava alguns pontos brancos na calça preta. Era a indicação de que nada controlava o espaço, nem mesmo mãos fortes e juventude.
Nada ainda, só silêncio. Um silêncio que gritava choro e cheirava vômito. Ponto, enfim puxou o freio de mão, o caminho tinha acabado, e aquele som quebrou as nóias que estavam ali.
Um passo na frente do outro. Uma coisa de cada vez. Nada é fácil. Nada empolga durante muitos meses.
Olhou pro lado e tudo havia desaparecido. Olhou pro outro e só viu uma mancha branca, bem pequena, no meio do nada. Abaixou, chegou mais próximo, era o rótulo de uma vodka barata, amassado e meio molhado. Abriu totalmente e olhou o verso. O esboço de um sorriso formou no seu rosto.






"É tudo verdade. A solidão realmente está com você, mas ela me disse, vai te deixar.”


sábado, 11 de agosto de 2012

.angústia.



Fim do túnel
Cigarro acabado
Noite virada

8 da manhã
Sol quente
Porta entreaberta

Unhas roídas
Roupa suja
Vodka no copo

Desamor
Ardor
Rancor

Cabelo ao vento
Pantanal verde forte
Asfalto recapeado

Criatividade que falta
Pais no telefone
Arrependimento tardio

Amor inventado
Canudos de papel
Confusão e desgosto



quinta-feira, 9 de agosto de 2012

.semumidade.



eu pensei em você esta noite. na realidade pensei muito.
uma festa do tipo gente da nossa idade.
as luzes brancas foram substituídas
por vermelhas e azuis
do nada, paixões que viram amigas
drama.
mas nem tudo que eu sempre quis,
acontecendo bem na minha frente
surpreendeu.

a arrogância dominou o olhar.

ok
vocês são lindos, mas não são a minha garota

os pensamentos frágeis continuam.
a incoerência aparece como amiga.
sexy tapes mal resolvidas,
desejo pulsante,
tesão retraído,
busca infinita.

venha, venha minha garota.
aceite meu convite
tira essa dor
apaga a angústia.

seja a inconstância dos 23.
faça a vida valer.
prometo chocolates, céu azul e sol brilhante.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

.nãoencontrococalight.


Julgamento. Causa e efeito. Falou muito, perdeu a honra. Julgado está.
Sem ajuda, sem pretensão. A luz negra ilumina camisas brancas, sorrisos perfeitos, cadarços de all star. Isso não salva. O fim do túnel é amarelo, brilha pra poucos, tem seu preço. Cuidado, vida regrada, saúde, exames, remédios.
Sabe qual é o caminho certo, sabe muito bem. O ego é maior. Aperta a maresia enquanto olha pro relógio. Roubo, sequestro, educação. Maquiagem cafona, roupa carregada, inexperiência, salário baixo.
Caminha, corre, puxa, flutua. Ônibus lotado, cartão no vermelho, esperança que se foi.
Unhas roídas de ilusão. Cor no sol, fungos queimados, pernas ao alto, acidentes e desamores.
Trânsito caótico, olhares profundos, vidas ao léo. Mentira, bipolaridade, ignorância.
Arrogância às 8 e meia. Títulos incompletos, paixão por superiores, críticas alheias. Verdade nos dedos, criatividade explorada, futuro vago. Sonha com leões.
Beleza, fama, amizades. Enquanto há dinheiro a festa continua. Roupas pretas, álcool, colocação. Olhares trocados, hálito de hortelã. Música alta, delírios de 5 da manhã. Os pés não param. Tremor, ardor, rancor.  
Telefonemas, e-mails, tesão. Temperatura baixa, sexo suado, difamação. 1, 2, 3. Meia luz, gozo ácido, barrigas malhadas. Amor inventado, prazer sem sentido, velocidade atrasada.

6 e meia, guarda-chuva na boca, reflexão. Loop da vida, armadilha do medo, mais um dia, desperdício, perdição.


quinta-feira, 28 de junho de 2012

.agoragonia.


A.DOR.MERECE
MAR.
ADORMECE.
ARRANCA.DOR.
DO.RANCOR
SEM.COR.AMOR.
NO.MAR.AZIA
SÓ.MARESIA.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

.razão.


Quantas vidas existem dentro de um corpo? Uma pergunta que não para de latejar dentro do peito. Um questionamento inútil.
De que serve saber quantas vidas existem se nem mesmo uma é vivida. Quanto mais a afirmação é repetida, mais outras perguntas surgem.
Pais, amigos, trabalho, estranhos. Cada um te toca de uma forma. Pra cada um, uma vida surge. Pra cada um uma roupa é posta.
Queime. Queime essa falsa pretensão de futuro bom. Que futuro existe em mil vidas. Mil futuros não são possíveis. Mil futuros, mentira.
O dinheiro manda. Nosso deus maior. Nosso objetivo. Machucados tilintam. Moedas que pago, pagam, vão pagar.
Dinheiro que existe na nuvem negra que acompanha. Uma nuvenzinha, bem acima da cabeça. Acorda com ela, dorme com ela. Fantasia surreal pra amenizar tanta dor.
Dinheiro, compre minhas mil vidas. Me dê duas mil mortes. Um câncer de brinde. Rancor de bônus.

terça-feira, 5 de junho de 2012

.tentativa.


Quando eu penso em você, tenho vontade de me jogar do maior prédio da cidade, só pra testar a sorte e os anjos.
Parece que quanto mais tento te esquecer em corpos quentes, mais a mente fica próxima do seu coração. Não falo “coração próximo do seu coração” porque esse tal que bate no meu peito é só mais um músculo que mantem viva a carne. Um músculo como qualquer outro, sem formato bonitinho, sem cor vermelha. Já petrifiquei.  Pronto.  Menos um sofrimento.
Inconstância de relações passageiras. Sexo pelo sexo. Orgia.  Mãos, suor, peito, braço. A sina é testada. O carma confirmado. Agora existe assunto pra escrever.  A tinta da caneta quando toca o papel forma um borrão com as lágrimas salgadas da solidão.
A chuva começa a cair. Visto minha melhor roupa, faço a barba e vou pra rua. Quem me acompanha é a puta da angústia. Ela sempre me faz companhia. É puta de bom caráter, foge das regras feitas.
Caminhei em direção ao nada, onde os edifícios fazem sombra e as identidades são queimadas.  Pensei que ali, se pá, poderia queimar o seu e o meu RG. Queimei apenas meu desejo, entre tantos outros que como eu, eram perdidos.
A angustia, puta que só ela, ficou na esquina, arrumou um cliente, trabalhou, voltou. Com sua imagem latente me acompanha de volta. Não sei mais o que fazer. Busco por gozo, espasmos e dores de cabeça. Audácia minha pensar que a solução está nesse caminho. Quanto mais fácil, mais dor. Quanto mais fácil, mais autodestruição. Quanto mais fácil, mais meu peito aspira, dilata, explode e se cala.
A sorte continua, me protege. Os anjos, eles não existem.
E agora?
Quanto mais vou ter que sofrer no meu próprio ego pra esquecer você e procurar meu próprio eu?