sexta-feira, 23 de março de 2012

.trincadereis.


tentava ser leminsky
tentava ser poe
tentava ser kafka
só não tentava ser joão

tentava ser byron
tentava ser ginsberg
tentava ser alvarez
só não tentava ser joão

tentava ser rafael
tentava ser cynthia
tentava ser gall
só não tentava ser joão

tentava ser moderno
tentava ser gótico
tentava ser budista
só não tentava ser joão

tentava ser joaquim
tentava ser vitor
tentava ser natasha
só não tentava ser joão

tentava ser bonito
tentava ser rico
tentava ser inteligente
só não tentava ser joão

jovem joão
joão tentava ser tudo
e esquecia do profundo
um dia tentou ser mal
e acabou sucumbido
no calor
do pantanal.

quarta-feira, 21 de março de 2012

.rotina.


na unha lascada

no salto quebrado.


a solidão

está na pista de dança

na sexta badalada

na roupa rasgada.


na pétala do não

a solidão

está no fio de cabelo

no batom borrado.


a

s

o

l

i

d

ã

o


está no passar dos anos

no dia de sol.


a solidão

está dentro dos ouvidos

cravada na pele

no sangue talhado.


a solidão


não está na falta de amor

não está no próximo

não está nas pessoas.


a solidão se propaga

com atitudes mesquinhas

olhares de desprezo

ações de ignorância.


a solidão

está no esquecimento

do alheio

na perda do amor próprio

na vaia do perdedor.

quinta-feira, 8 de março de 2012

.we'reheretostay.


É quando você se perde no vazio das emoções. Quando todos querem dar a mão, te tirar de um sonho desligado. Um sonho que não tem sono. Um sonho de mandíbulas apertadas. Ossos que batem. Espasmos musculares.

É quando pra você a única coisa que sobra é o dia seguinte. A carteira vazia. O coração disparado.

Amores são visões ao fundo. Nesse deserto não existe oásis. Não peça água, não peça nada. Apenas ande, ande, caminhe, não corra. Correr cansa. Correr transpira, perturba a mente, traz vermelho às maçãs.

Procure por Nabucodonosor, ele pode te responder sobre erros passados. Mas não adianta ir se não for de peito aberto. Se tá difícil controlar o ódio e o peito continua fechado, rasgue com uma faca, de preferência com ponta. Tire sangue, tire dor, tire amor, tire apego, tire tudo. Nabucodonosor só dirá o que ele viveu. Você pode se inspirar, mas não pode saber se vai dar certo. Ao menos, deve tentar.

Não se desculpe com sentimentos sem explicação. Justificativas são para fracos. Tente não tropeçar. Continue.

O novo sol é seu guia. O caminho é cheio de dificuldades. Segure em arbustos, aranhas de papel, musicas desconhecidas e em mãos.

Não existe sono, não existe descanso. Desvie de falsos prazeres, desvie de fumaça e observe muito bem o chão, ele está cheio de linhas brancas para que você tropece.

Repita frases mil vezes. Ninguém tem o que dizer. E atente para a verdadeira recompensa de todo esforço: O esquecimento.


quarta-feira, 7 de março de 2012

.facas.


Olhos misteriosos.

Luzes no fim do túnel.

Ruas cheias de flores.

Restaurantes caros.

Festas de pseudo.


Ele olhou por entre seus dedos sujos de sangue. Camisetas manchadas. Nariz que escorre verdade.

Não quer mais nada nesta noite. Vai ficar entre a paciência e o esquecimento das 8 da manhã.

Seu corpo jovem parecia não encontrar mais as tristezas do dia a dia. Gritava por pista. PISTA PISTA.

Vamos dançar, ele dizia. E cantava olhando bem nos meus olhos: I wasn't really looking for some more than, some company on the dancefloor and, does he know what I do? And, you'll pass this on, won't you?” enquanto minhas mãos frias passam por sua cintura e desciam.

Não acreditava naquele garoto de 20. Como tanta perspicácia pode se esconder neste sorriso imperfeito? Que estranho, eu não consigo te ter, eu não consigo desvendar.

Sou cabra. Chifres afiados, pernas malhadas. Cabeça dura. Mesmo assim não consigo.

Será que acredito em você ou me fecho e excluo seu perfil? Fotos são apenas luzes em objetos refletindo falsidade e pena. Papel gravado que pode ser queimado muito fácil. EU QUEIMO.

Os olhares continuam se cruzando, mãos geladas, luzes ascendem. A noite não acabou, ela continua na rua, no carro, no seu umbigo. Hoje está difícil, meus dedos não param, ansiedade, dor de estômago.

Por que o banheiro é sempre tão lotado e úmido? Sorriso de canto. Gente loira, desejo reprimido.

Me beija, acaba com isso. Não para. Não para. Não para. Não para. Não para. Não para.

Deixa eu te esquecer.

sexta-feira, 2 de março de 2012

.doesitmakeyoufeelalive?.


Café frio. Gosto amargo. Tendências suicidas. Músicas irônicas.

Como se eu pudesse controlar seu desejo, Nem minha vida eu sei ao certo.

Mas a qualquer momento eu saiu e grito.SIM. Braços abertos, cabeça quente.

Me jogo em uma poça de lama inexistente, só pra chamar sua atenção e fazer com que a culpa te pegue.

Não sou do lado azul. Não sou do lado rosa.

.

.

.


Tenho que te ter ao meu lado, você é como um vício. Seu corpo é quente e minhas mãos estão tão geladas que a sensação térmica chega até minha boca, meus dentes tremem.

Sabe pressão baixa? É tipo isso mas mental. Baixa autoestima. Preciso de você pra completar o que não tenho, o que não sinto. Ë como se na criação eu tenha sido privado disso. Recebi apenas cérebro, massa cinza, dias cinzas, curvas de humor. Coisas estranhas foram passadas para o asmático. RESPIRAÇÃO. Não se esqueça de respirar, de aspirar, de sugar cada parte da minha paixão, da magia branca, da linha entre a gilete.

Não recebi calor, nem veias saltadas, nem ossos largos. Mas tá, tá bom.

Ai vem eu mais uma vez me vitimizando.

Pra você sempre foi isso. A minha paixão é tão grande que quando você erra comigo, eu quero arrancar seus olhos porque o que eu sinto é tão forte que preenche o vazio.

Seu vazio intelectual.Suas falsas fantasias.

Baby, eu não sou pessimista. Eu sou realista. Casas com cercadinho branco não existem. Filhos são para os normais. O que eu posso fazer se a minha sina é essa? As coisas não são para todos da mesma forma.

Mundo cruel?

Você até pode falar isso. Eu não vejo assim.

Criei uma casca tão grossa, que o cruel sou eu.

O mundo é feito dessa forma.

O que seria da sorte, se não fosse o azar?

O que seria da felicidade se não fosse a tristeza?

O que me seria se você não fosse?


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

.likeanewdesire.


Seu único sopro na realidade emitia sons estranhos. Nunca tinha ouvido aquelas palavras antes, mas de alguma forma tudo aquilo era familiar.

Pois é, ele não resistiu ao vício, ligou e fez tudo ser consumado. Tudo ser como antes.

Inventou pensamentos. Sentiu azia. Foi ao banheiro e vomitou sangue com pequenas letras manchadas de preto. Ajoelhou e abraçou a cuba sanitária. O cheiro do desinfetante fazia com que os azulejos tomassem formas monstruosas.

Acordou no sofá xadrez. Olhou em volta. O patriarca preocupado com a conta de luz, apagou a lâmpada. Como consolo deixou a TV ligada no canal de desenhos. Lisergia estava em cartaz naquele mês de chuva. Era a única companhia e emoção que existia.

Os amores irreais dançavam sobre seu estômago. O café amargo tinha feito um grande buraco ali e a invenção de outra dor mascarava aquela queimação diária. Todos os dias, ao caminho do trabalho, o buraco gritava. Ele mandava fumaça cinza pra dentro. Ela brigava com o buraco, tentando preencher o vazio que existia, nunca ganhava. A dor só piorava e a profissão médico não existia em seu banco de dados. A juventude é bela, a pele é boa e o cabelo sedoso com cachos soltos ao vento. Pra que envelhecer?

Sem avaliar a situação, decidiu optar pela autodestruição. Nada mais fazia sentido naquela noite. Telefonemas não atendidos, paixão carnal, mentiras em forma de sorrisos. Ele avaliava o porquê de tudo enquanto explodia em seu nariz pequenos suicídios.

As fagulhas de fogo faziam ele lentamente esquecer todos os motivos da nóia noturna. Reavivou o pensamento. Agora o foco era o trabalho, o título que ainda não tinha escrito e o quanto ele flutuava durante o dia dentro daquela fonte azul. O barulho de água lembrava a cidade onde morava. Tudo era familiar, e o dia, pelo menos o dia, era um grande sonho em formato triangular.

Do nada teve um insight. Decidiu valorizar tudo que era familiar e deixar as invenções pra ficção. Ele tem a cura pra tudo. Ele tem a cura pra toda a dor. Ele tem a sua própria salvação. Tem dificuldades com novos ambientes, com novas ideias, com novas pessoas. Talvez se ele se esforçar em lembrar onde tudo era familiar, encontre na lembrança a vida que tinha, e a cura será automática.



Eu torço por ele.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

.verão.



Leve um colírio, pode precisar. Calma e paciência.
Entre camisas e olhares, não pensou duas vezes. Ela de
preto, seduzia sem pensar. Entre danças e olhares, ele observa mais.
Músicas erradas. Colocação. Banheiros lotados. Umidade do
pantanal. Ok, tudo pode acontecer nesta noite encantada.
Brilhos infantis. Coligação e diamantes. Tudo era certo.
Os óculos escuros redondos faziam barulho observando a cena.
Que cena. Seu perfume ficou.
Leve esse sentimento e caminhe. Vá para as casas entre
planetas. Observe a noite. Tudo completa o pano de fundo. sonhos entre anéis de caveira e dentes travados.
Paixão rasgada no peito. Aqui é drama. Sem objetivo. Encontros
e desencontros. A cena do karaoke já passou.
Mas sem delongas, “L'esprit de l'escalier”.