sexta-feira, 2 de março de 2012

.doesitmakeyoufeelalive?.


Café frio. Gosto amargo. Tendências suicidas. Músicas irônicas.

Como se eu pudesse controlar seu desejo, Nem minha vida eu sei ao certo.

Mas a qualquer momento eu saiu e grito.SIM. Braços abertos, cabeça quente.

Me jogo em uma poça de lama inexistente, só pra chamar sua atenção e fazer com que a culpa te pegue.

Não sou do lado azul. Não sou do lado rosa.

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Tenho que te ter ao meu lado, você é como um vício. Seu corpo é quente e minhas mãos estão tão geladas que a sensação térmica chega até minha boca, meus dentes tremem.

Sabe pressão baixa? É tipo isso mas mental. Baixa autoestima. Preciso de você pra completar o que não tenho, o que não sinto. Ë como se na criação eu tenha sido privado disso. Recebi apenas cérebro, massa cinza, dias cinzas, curvas de humor. Coisas estranhas foram passadas para o asmático. RESPIRAÇÃO. Não se esqueça de respirar, de aspirar, de sugar cada parte da minha paixão, da magia branca, da linha entre a gilete.

Não recebi calor, nem veias saltadas, nem ossos largos. Mas tá, tá bom.

Ai vem eu mais uma vez me vitimizando.

Pra você sempre foi isso. A minha paixão é tão grande que quando você erra comigo, eu quero arrancar seus olhos porque o que eu sinto é tão forte que preenche o vazio.

Seu vazio intelectual.Suas falsas fantasias.

Baby, eu não sou pessimista. Eu sou realista. Casas com cercadinho branco não existem. Filhos são para os normais. O que eu posso fazer se a minha sina é essa? As coisas não são para todos da mesma forma.

Mundo cruel?

Você até pode falar isso. Eu não vejo assim.

Criei uma casca tão grossa, que o cruel sou eu.

O mundo é feito dessa forma.

O que seria da sorte, se não fosse o azar?

O que seria da felicidade se não fosse a tristeza?

O que me seria se você não fosse?


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

.likeanewdesire.


Seu único sopro na realidade emitia sons estranhos. Nunca tinha ouvido aquelas palavras antes, mas de alguma forma tudo aquilo era familiar.

Pois é, ele não resistiu ao vício, ligou e fez tudo ser consumado. Tudo ser como antes.

Inventou pensamentos. Sentiu azia. Foi ao banheiro e vomitou sangue com pequenas letras manchadas de preto. Ajoelhou e abraçou a cuba sanitária. O cheiro do desinfetante fazia com que os azulejos tomassem formas monstruosas.

Acordou no sofá xadrez. Olhou em volta. O patriarca preocupado com a conta de luz, apagou a lâmpada. Como consolo deixou a TV ligada no canal de desenhos. Lisergia estava em cartaz naquele mês de chuva. Era a única companhia e emoção que existia.

Os amores irreais dançavam sobre seu estômago. O café amargo tinha feito um grande buraco ali e a invenção de outra dor mascarava aquela queimação diária. Todos os dias, ao caminho do trabalho, o buraco gritava. Ele mandava fumaça cinza pra dentro. Ela brigava com o buraco, tentando preencher o vazio que existia, nunca ganhava. A dor só piorava e a profissão médico não existia em seu banco de dados. A juventude é bela, a pele é boa e o cabelo sedoso com cachos soltos ao vento. Pra que envelhecer?

Sem avaliar a situação, decidiu optar pela autodestruição. Nada mais fazia sentido naquela noite. Telefonemas não atendidos, paixão carnal, mentiras em forma de sorrisos. Ele avaliava o porquê de tudo enquanto explodia em seu nariz pequenos suicídios.

As fagulhas de fogo faziam ele lentamente esquecer todos os motivos da nóia noturna. Reavivou o pensamento. Agora o foco era o trabalho, o título que ainda não tinha escrito e o quanto ele flutuava durante o dia dentro daquela fonte azul. O barulho de água lembrava a cidade onde morava. Tudo era familiar, e o dia, pelo menos o dia, era um grande sonho em formato triangular.

Do nada teve um insight. Decidiu valorizar tudo que era familiar e deixar as invenções pra ficção. Ele tem a cura pra tudo. Ele tem a cura pra toda a dor. Ele tem a sua própria salvação. Tem dificuldades com novos ambientes, com novas ideias, com novas pessoas. Talvez se ele se esforçar em lembrar onde tudo era familiar, encontre na lembrança a vida que tinha, e a cura será automática.



Eu torço por ele.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

.verão.



Leve um colírio, pode precisar. Calma e paciência.
Entre camisas e olhares, não pensou duas vezes. Ela de
preto, seduzia sem pensar. Entre danças e olhares, ele observa mais.
Músicas erradas. Colocação. Banheiros lotados. Umidade do
pantanal. Ok, tudo pode acontecer nesta noite encantada.
Brilhos infantis. Coligação e diamantes. Tudo era certo.
Os óculos escuros redondos faziam barulho observando a cena.
Que cena. Seu perfume ficou.
Leve esse sentimento e caminhe. Vá para as casas entre
planetas. Observe a noite. Tudo completa o pano de fundo. sonhos entre anéis de caveira e dentes travados.
Paixão rasgada no peito. Aqui é drama. Sem objetivo. Encontros
e desencontros. A cena do karaoke já passou.
Mas sem delongas, “L'esprit de l'escalier”.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

.chegada.



O infinito transbordado
Não soou nada, mas ao mesmo tempo as estrelas não apareceram
de uma pancada.
Entre dentes, os dois são lobos, admiram a coragem alheia.
As escadas gritavam uma inveja tão grande que ecoava na
mente.
Ninguém é forte de verdade.
Braços dados, mãos abertas. Tem medo de acordar de um sono,
mas não importa se foi só o momento.
Dentes travados em suas mãos, ele vê o machucado e tenta não
deixar muito a mostra. A garota acima de tudo, é delicada. É isso que chama
atenção.
A noite transformadora. Diamantes no centro do corpo, tão
inocentes como pequenas casas amarelas.
Você completa tudo que há. Você é o que faltava, mas não
sente o desapego. Se sente honrado pelas escolhas.
Garota que tudo vê, seu perfume ficou na camisa jeans, o
gosto da sua boca penetrou na cartilagem e sua fisionomia esta no peito.
Garota dos desenhos, não seja apática, cumpra com tudo. Os olhos
que nada vêem, estão dispostos a observar sem nada ver, como sempre. Siga com a
verdade. Tudo que está no peito é verdadeiro. Apenas isso. Mais nada.
Tremulo, ele segue seu rumo. Não exige nada. Sua mente
preenche todos os espaços.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

.errodeleitura.



Depressão em sonhos
Flores nos braços
Lençóis de seda
Álcool e dramin

Frutas saborosas
Cheiro adocicado
Branco aspirante
Calado e centrado

Abraços infantis
Memória fotográfica
Peles macias
Sorrisos amarelados

Noite sem fim
Dente travado
Desejos de marfim
Gozo belo amargo

domingo, 29 de janeiro de 2012

.terrenoencantado.





Na realidade nunca soube o que acontece dentro do seu mundo infinito. Infinitas possibilidades, tudo é certo e nada é contra as regras. Só arque depois. Esse é seu lema.
Mesmo dentro de todas essas possibilidades, não pensou duas vezes para aceitar seu convite. Um SMS dentro das 3 horas da manhã. Dizem ser essa a hora do diabo. Quem sabe?
Foi ao encontro de uma possível paixão. A vida corre por entre seus braços. O Pantanal é tão fabuloso quando a umidade está em alta, o calor faz a pele transpirar, o rosto brilha com naturalidade e as ruas ficam convidativas. Até mesmo onde visivelmente não há onde se divertir, quem dá uma chance ao acaso, acaba se perdendo em prédios enfileirados onde cada apartamento abriga um pequeno prazer.
O prazer do álcool, guiado por fumaça e canudos encantados, faz sua paixão aumentar. Depois de tudo feito e banho tomado, ficou observando seu sono, deitado ao seu lado. Sentia seu cheiro e fazia caminhos no vento, quase tocando sua pele, desenhando seu corpo no vento e memorizando cada parte daquele garoto. Preferiu não ser romântico. As mentiras devem continuar.
Infinitas possibilidades para um corpo que só quer ficar dopado. A verdade um dia aparece e tudo pode acabar. Prefere a anestesia da mentira. É tão egoísta que tem medo da própria sorte e do amor que outra pessoa pode sentir por ele. Não dá chances a si mesmo. Destinado ao pequeno. Uma pena.














































“Don't make me sad, don't make me cry
Sometimes love is not enough and the road gets though
I don't know why


Keep making me laugh,
Lets go get high
The road is long, we carry on
Try to have fun in the meantime”

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012



Caminha para Tóquio em passos de formiga,
autoimune de doenças, mentiras e concreto.
Foi até a Índia,
se banhou no Ganges,
chorou por sobre um corpo qualquer.
“Aqui não existe o impossível.”